Blog Rômulo Lima

O local destinado ao abate de animais - bovinos, caprinos e suínos - para comercialização, de responsabilidade da prefeitura de Araripina, no Sertão pernambucano, teve nesta quarta-feira(10), suas atividades suspensas. O Ministério Público do Estado, proferiu uma decisão liminar que foi acatada pelo juiz João Ricardo da 1ª Comarca do município, que pede a interdição imediata do local. Consta no documento, que a ação visa o direito dos consumidores quanto a qualidade dos produtos que lhe são ofertados para o consumo, neste caso de origem animal, procedentes no matadouro público, situado as margens da PE-615, na vila Santa Isabel em Araripina.
Também foi solicitado pelo MPPE, a apreensão de todos os animais encontrados no interior do matadouro, e que, os mesmos fossem transferidos para um local seguro e com condições adequadas. O município terá o prazo de 05(cinco) dias para comunicar ao órgão judicial a procedência e o local para onde os animais foram levados.   
A ADAGRO - Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco - realizou uma vistoria nas dependências do matadouro e constatou diversas irregularidades, dentre elas, a não realização de inspeção antes, e, após o abate, além de contaminação na água utilizada para a limpeza dos animais, "não existe tratamento nas águas residuais," descreve o documento. 
Outras irregularidades apontadas são: piso de chão batido, ausência de cordão sanitário, seringas fora do padrão, sangria inexistente, ventilação e iluminação insatisfatórias, banheiros precários, presença de pessoas inabilitadas e sem o devido vestimento, crianças auxiliando na limpeza das vísceras, entre outras incompatibilidades. No início de sua gestão, o atual prefeito da cidade, Alexandre Arraes(PSB), foi alertado pelo MPPE sobre as condições precárias do matadouro. 
O gestor na época, afirmou ter pleno conhecimento do caso, más, alegou falta de recursos financeiros para a reforma do local. A CPRH - Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos - realizou na sequência uma nova vistoria no matadouro, e registrou diversos pontos incompatíveis que foi comunicado ao poder executivo municipal de Araripina. 
Após outra vistoria da ADAGRO, o órgão constatou que o local encontrava-se em situação pior ao último laudo de vistoria realizado no mês de janeiro de 2010. Em um trecho do documento, o Ministério Público de Pernambuco atenta para o afrontamento do gestor municipal, que insisti em continuar o funcionamento do matadouro público nas situações precárias já apresentadas. - "Percebe-se que a administração pública em que pese toda a atuação na esfera extrajudicial do Ministério Público, insistiu em continuar mantendo o funcionamento do matadouro público nas suas precárias condições de higiene e salubridade, afrontando não apenas os compromissos assumidos e firmados com o ministério público, mas também, e principalmente, afrontando a sociedade que fica a mercê do consumo de carne imprópria, correndo riscos a saúde, além de afrontar as legislações consumeristas e ambientais," destaca um dos parágrafos.  
Caso a prefeitura de Araripina descumpra a decisão de lacrar e cessar as atividades no matadouro, isso implicará em multa diária de mil reais aos cofres municipais, que deve aumentar caso a desobediência prossiga. As atividades no local só poderão ser retomadas após a prefeitura reparar os problemas e uma nova vistoria possa expedir o alvará de funcionamento compatível com as condições legais relacionadas ao abatimento de animais para o consumo humano.  
Esse matadouro fica dentro de uma área residencial, e por vários anos é motivo de insatisfação e protestos da população que vive próximo as instalações. Segundo os moradores, o mau cheiro é insuportável. Insetos como moscas, perturbam e expõe as pessoas a sérios riscos de contaminação. 
A exposição de animais abatidos também incomoda bastante, foi o que disse a senhora Vânia Alencar, velha habitante do local, - "A gente observa os animais passando fome e cede a espera do abate. Crianças ajudando os adultos lá dentro(do matadouro), manuseando facas e lavando os bichos. Tem dia aqui que ninguém almoça, nem janta, nem come nada, é um cheiro horrível que vem desse 'matador' que ninguém aguenta mais. Ninguém pode deixar nenhum alimento descoberto que vem um enxame de moscas pra cima, isso(o matadouro) já devia ter sido derrubado faz tempo," relata inconformada a moradora. 

Revista Geral / Fotos: Blog do Magno Martins

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