Blog Rômulo Lima

Nações Unidas preparam operação humanitária para aliviar a falta de comida e água.
Muitos habitantes de Katmandu iniciaram nesta segunda-feira (27) um êxodo após o violento terremoto que deixou mais de 4.000 mortos, enquanto as Nações Unidas preparam uma grande operação humanitária para aliviar a falta de comida e água no Nepal. Famílias inteiras se amontoavam em ônibus e algumas pessoas inclusive viajavam no teto dos veículos. Muitos habitantes também se deslocaram as suas cidades natais para determinar a magnitude do desastre ali.
Este êxodo começa num momento em que as equipes internacionais com cães treinados, equipamentos pesados para remover os escombros e provisões conseguiram aterrissar no país. "Agora é importante prevenir outro desastre tomando as precauções adequadas contra as epidemias", disse à imprensa o porta-voz do Exército, Arun Neupane.
Diante do medo da falta de provisões, as pessoas também se amontoavam nas lojas e nos postos de combustível. O número de mortos pelo terremoto no Nepal chegou a 4.010, o que converte o tremor no mais mortífero dos últimos 80 anos. Além disso, 7.500 pessoas ficaram feridas. Na Índia e na China 90 pessoas morreram.
Elisabeth Byrs, porta-voz do Programa Mundial de Alimentos (PMA), disse à AFP que a agência lançará um programa em grande escala a partir de terça-feira. No bairro de Balaju um homem enfrentou a dor de perder a própria filha. "Ela era tudo para mim. Não fez nada ruim, não deveria ter morrido", disse Dayaram Mohat, pai de uma adolescente de 14 anos, que foi retirada dos escombros pela polícia com a ajuda de uma grua, martelos e inclusive das mãos.
"Precisamos de mais equipamentos para poder detectar sons e localizar os sobreviventes", disse o coronel Naresh Subba. O tremor também provocou uma avalanche no Everest, onde foram confirmadas dezoito mortes. Ali se encontravam ao menos 800 pessoas, incluindo muitos estrangeiros, segundo as estimativas de autoridades locais. Nesta segunda-feira, os helicópteros de resgate conseguiram resgatar montanhistas que estavam bloqueados depois de uma primeira operação para evacuar os feridos.
Muito medo e confusão
Milhares de pessoas que perderam suas casas passaram a noite ao relento, em barracas. O solo ainda treme em alguns momentos e muitas pessoas não conseguiram dormir, ao mesmo tempo em que buscavam proteção da forte chuva. "Isso é um pesadelo. Por que os tremores secundários não acabam?", se perguntou Sanu Ranjitkar, uma mulher de 70 anos que se agarrava ao seu cachorro e respirava com a ajuda de uma máscara de oxigênio.
Envolvidos em sacos plásticos, muitos habitantes de Katmandu estavam desesperados para conseguir ajuda e informação. "Há muito medo e confusão", disse Bijai Sreshth enquanto tentava ouvir no rádio alguma mensagem do governo. "Não sabemos o que vai acontecer com a gente, nem o tempo que vamos passar aqui", lamenta o pai de família, que se refugiou com os três filhos, a esposa e a mãe em um parque.
O porta-voz do ministério nepalês do Interior, Laxmi Prasad Dhakal, alertou que o país precisa de helicópteros para as operações de emergência nas zonas rurais, assim como de água potável e mantimentos para os sobreviventes. Os hospitais estão lotados e os médicos, mobilizados 24 horas por dia, trabalham em condições muito precárias. Os necrotérios estão saturados.
Os socorristas nepaleses recebem o reforço de centenas de ativistas humanitários procedentes de países como China, Índia ou Estados Unidos. Cerca de 70 americanos viajarão ao Nepal e o secretário americano de Estado, John Kerry, anunciou nesta segunda-feira que os Estados Unidos fornecerão 10 milhões de dólares em ajuda ao país.
A Grã-Bretanha, por sua vez, anunciou uma ajuda de cinco milhões de libras, o Canadá de cinco milhões de dólares e a União Europeia de três milhões de euros. O auxílio deve financiar tanques de água potável, medicamentos e abrigos provisórios. A Índia enviou 13 aviões militares carregados com toneladas de alimentos e cobertores.
Os esforços de reconstrução podem chegar a 5 bilhões de dólares, que representam 20% do PIB do país, segundo os cálculos de Rajiv Biswas, economista chefe da zona da Ásia e do Pacífico da consultora Asia IHS.
Do Folha de PE

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