Blog Rômulo Lima

Dez cidades do Sertão de PE correm o risco de ter novos casos da doença.
Petrolina registra o índice de 23,1%, acima do aceitável pelo MS.
Casas feitas de barro servem de moradia para o barbeiro, transmissor da doença de Chagas
Algumas cidades do Sertão de Pernambuco estão em alerta por causa do barbeiro, inseto que transmite a doença de chagas. Na região, 10 cidades correm o risco de ter novos casos. Para reduzir a contaminação da doença, a Universidade do Vale do São Francisco (Univasf) desenvolveu um projeto junto aos municípios.
A doença de chagas é causada pela picada do barbeiro, lesionando a pele geralmente no rosto e nos braços. “Caracteristicamente essa picada ocorre mais no período noturno em áreas em que o indivíduo permanece descoberto, como o rosto e o braço principalmente. Nessa primeira infecção, o indivíduo pode apresentar sintomas semelhantes com uma conjuntivite. O olho vai ficar inchado, avermelhado, pode ter febre. Uma febre baixa, pode aparecer gânglios no pescoço ou até mesmo em todo o corpo. Isso dura em média um mês”, destaca o cardiologista Luiz Dantas.
Depois dos sintomas ocasionados na fase aguda, a doença continua avançando e pode levar até 40 anos para aparecer. “O indivíduo vai conviver com o parasita no interior do organismo sem manifestar a doença. Passado 20 a 40 anos desse contágio inicial, esse indivíduo entra na fase da doença crônica, que pode se manifestar por acometimento cardíaco, dilatação do esófago e do intestino grosso. Pode levar a morte se não tratado”, explica o médico.
No Sertão pernambucano, além de Petrolina, as cidades de Afrânio, Dormentes, Lagoa Grande, Orocó,  e Santa Filomena estão em alerta e correm o risco de ter novos casos da doença de chagas. Em Petrolina, o índice de infestação é de 23,1%, considerado acima do aceitável pelo Ministério da Saúde, que é de 5%. Em geral, os focos do inseto transmissor se concentram em comunidades da Zona Rural das cidades.
Anualmente, a Secretaria Municipal de Saúde realiza pesquisa para detectar a presença do barbeiro. Para reduzir os números, é feito um bloqueio com a aplicação de inseticida que mata o inseto. “Nessas localidades são feitos os bloqueios, semelhantes aos da dengue. É feita uma borrifação nesses domicílios para eliminar a presença do inseto”, explica a coordenadora de Vigilância Epidemiológica, Silvana Mudo.
Em Petrolina, a secretária não dispõe do número exato de pessoas contaminadas. Para notificar os casos, a equipe epidemiológica prepara um trabalho de identificação de pacientes com a doença. “São três ciclos anuais, ou seja, três vezes ao ano é feita uma visita a esses domicílios da Zona Rural, onde há uma maior presença do barbeiro e é justamente para evitar que se exista a presença desse inseto durante todo o ano”, disse a coordenadora.
O problema registrado na região é tema de um projeto da Univasf. O estudo é coordenado pelo professor do curso de medicina, Ricardo Lima. “O objetivo principal do projeto é de desenhar o perfil epidemiológico da doença de chagas na região, por entender que são áreas que tem potencial para desenvolver a doença. Além disso é feito um trabalho de educação em saúde para a doença de chagas, trazendo para as comunidades de potencial risco, informações sobre a doença, de como proceder, de como conviver nesse ambiente em comum com o barbeiro”, argumenta.
Do G1 Petrolina
Foto I: Rômulo Lima

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