Blog Rômulo Lima

Sete artesãos ajudam o Mestre Aprígio a atender os pedidos
de herdeiros do Rei do Baião que vão tocar nas festas juninas.
Luiz Gonzaga lançou a moda e o gibão de couro dos vaqueiros virou marca de muitos cantores de forró. A inspiração é sertaneja, mas difícil de confeccionar. Por isso que alguns artesãos são chamados de mestres em Pernambuco.
É dia de feira em Salgueiro, no sertão de Pernambuco, e os produtos feitos em couro têm freguesia certa. O vaqueiro experimenta no meio da rua o gibão, a perneira e o chapéu usados na lida com o gado na aridez da Caatinga.
"A sua função correta que me protege quando for entrar no mato", explica o vaqueiro Eduardo de Souza Silva.
É produzida por artesãos, que transmitem o que sabem de uma geração para outra. Pegamos a estrada e seguimos para outro município do sertão: Ouricuri, a mais de 600 km do Recife. Em uma rua no centro da cidade, uma placa indica onde funciona o ateliê de outro mestre do couro, Seu Aprígio.
O Museu Cais do Sertão, no Recife, guarda uma réplica feita pelo Mestre Aprígio de uma peça por ele confeccionada para um rei. Luiz Gonzaga, que inventou o baião, gostou tanto que virou o principal cliente do artesão sertanejo.
"Eu conversei com ele e tal. Aí quando ele voltou para o Rio de Janeiro com esse terno, chegou lá era um sufoco danado, o pessoal tirando foto, era muito aplaudido com aquela roupa diferente bem desenhada", conta o Mestre Aprígio.
Nesta época do ano, tem trabalho dobrado no ateliê. Sete artesãos ajudam o Mestre Aprígio a atender os pedidos de herdeiros do Rei do Baião que vão tocar nas festas juninas.
"Vestir uma peça desta você está vestindo algo extramente belo, bonito, único e, é claro, você está gerando emprego e renda, que é, para mim, o ponto de partida de qualquer que seja a arte", afirma o cantor e compositor Flávio Leandro.
E todos seguem caminhos desbravados pelo Rei do Baião.
Márcio Bonfim  
Recife, PE

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