Blog Rômulo Lima

Obra do destino, a frase que fechou a entrevista de Eduardo Campos ao ‘Jornal Nacional’, em 12 de agosto de 2014, tornou-se epitáfio e ponto de partida para a disputa do legado daquele se projetava como liderança nacional. O “Não vamos desistir do Brasil” dito pelo então presidenciável do PSB virou símbolo da tragédia que exatamente há um ano chocou o país.
Sem ele, a família se recompõe em meio às homenagens, e o filho João deve ser candidato a deputado federal em 2018. Sem ele, o PSB titubeia entre a esquerda e a direita, na esperança de encontrar um nome à altura. É parte de uma reconstrução doída, sem o homem em que até o ex-presidente Lula apostava como futuro ocupante do Planalto.
“O PSB é um partido à deriva sem seu timoneiro”, avalia a deputada federal e ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina. Ela é uma das vozes socialistas que lamentam a ausência de Campos num momento de crise econômica, política e de “esperança”. “Pela juventude e pela projeção, Eduardo poderia ser o articulador para tirar o país da crise. A democracia está ameaçada no Brasil, e Eduardo não aceitaria a retirada de direitos do governo, tampouco impeachment”, afirma Erundina, que era da direção nacional do PSB há um ano.
Eduardo Campos se formou em Ciências Econômicas na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 1986. Casou-se com a também economista e auditora do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco Renata de Andrade Lima (n. 1967), com quem teve cinco filhos: Maria Eduarda (n. 1992), João Henrique (n. 1993), Pedro Henrique (n. 1995), José Henrique (n. 2005) e Miguel (n. 2014). Seu filho mais novo, nascido no dia 28 de janeiro de 2014, é portador da síndrome de Down.
ALIANÇA COM MARINA E ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE
Em outubro de 2013, o então governador Eduardo Campos anunciou a aliança programática com a Rede Sustentabilidade, liderada por Marina Silva, cujo pedido de registro do novo partido havia sido negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A aliança foi formalizada em 4 de fevereiro de 2014, no evento que lançou as bases para elaboração do programa de governo do PSB-Rede. Na mesma data, o Partido Popular Socialista (PPS), através do deputado federal Roberto Freire, formalizou a entrada do partido na aliança.
As diretrizes para elaboração do programa de governo foram:Estado e democracia de alta densidade; Economia para o desenvolvimento sustentável; Educação, cultura e inovação; Políticas sociais e qualidade de vida e Novo urbanismo e o pacto pela vida.
Eduardo Campos anunciou, em 14 de abril de 2014, em um evento realizado em Brasília, a pré-candidatura à Presidência do Brasil, tendo como vice a líder da Rede Sustentabilidade, Marina Silva. Após a morte de Eduardo Campos, Marina Silva assumiu como candidata em seu lugar e Beto Albuquerque foi apontado como seu vice.
‘A GENTE VAI DECOLAR’
Em um mês de campanha à Presidência, Campos não conseguiu sair dos 10% nas pesquisas. Mas tinha certeza de que poderia ser alternativa viável às candidaturas de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). “Quando começarem os debates, a gente vai decolar. E já vai começar agora”, disse Campos. O “agora” dito por ele era em referência à entrevista no ‘JN’: à época do diálogo com o parlamentar, faltava uma semana para ele falar ao vivo em rede aberta. “Em qualquer eleição que ele disputasse, seu nome seria muito competitivo. Era uma liderança de visão profunda e que iria crescer”, crava.
TRÁGICA MORTE
Em 13 de agosto de 2014, o então candidato à presidência da República embarcou em um avião modelo Cessna Citation 560XLS de prefixo PR-AFA, cujo primeiro voo havia se realizado em 2011. O avião saiu do Aeroporto Santos Dumont, na cidade do Rio de Janeiro, por volta das 9h, com destino ao município de Guarujá, para cumprir agenda de campanha.
Por volta das 10h, o avião caiu sobre uma área residencial do bairro do Boqueirão, no município de Santos, sem deixar sobreviventes.
Eduardo Campos faleceu no mesmo dia que seu avô Miguel Arraes, morto no ano de 2005. Foi sepultado em 17 de agosto de 2014 no Cemitério de Santo Amaro, no Recife, ao lado do túmulo do avô e do tio Carlos Augusto de Arraes.
SEU LEGADO
Eduardo Campos morreu lutando por seus ideais e deixa um legado de luta por mudança no Brasil. Em sua carreira, curta, porém intensa, deixou um legado de bons resultados para o povo pernambucano e ideias importantes para o País. Sua participação como candidato na campanha eleitoral vinha agregando propostas interessantes para o Brasil, fortalecendo o processo democrático.

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.