Blog Rômulo Lima

Aumento dos índices de criminalidade recoloca a violência na pauta do dia.
No período de janeiro a agosto de 2015, os homicídios cresceram 10,4% em Pernambuco, se comparados ao mesmo período do ano passado. Nos mesmos oito meses, os crimes violentos contra o patrimônio (roubo, furto, extorsão, entre outros) tiveram um aumento de 23,6%, na comparação entre os dois anos. O roubo de carros subiu 11,7% no mesmo período. E depois de um primeiro semestre complicado, a situação delicada do Pacto pela Vida (PPV) – política de segurança pública adotada em 2007 pela gestão do então governador Eduardo Campos – ganhou o reforço de uma voz que há tempos não se ouvia, pelo menos de forma tão expressiva: a da população reclamando da falta de segurança nas ruas.
Na página do Facebook do JC, 200 pessoas responderam negativamente à pergunta “você se sente seguro no Grande Recife?”, em enquete realizada no dia de ontem. Apenas uma disse “sim”. A reportagem percorreu a capital, do Centro à Zona Norte e Zona Sul, nos bairros de classe média a nas periferias, com o mesmo questionamento. As respostas foram idênticas. “Prefiro os tiroteios do Rio de Janeiro à sensação de que vou ser roubado a qualquer momento, como aqui”, dispara o autônomo carioca Paulo Salviano, de férias no Recife. “A sensação que tenho é que vão levar meu celular se eu der bobeira. Evito usar na rua”, diz o comerciante João Barbosa, do bairro de Casa Amarela, na Zona Norte. “Há, sem dúvida alguma, o crescimento da sensação de insegurança. Reflexo dos incidentes de crimes violentos e suas repercussões na mídia”, diz o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Pernambuco, Pedro Henrique Reynaldo Alves. Histórias de vítimas da violência, seja do roubo de um celular à perda de um ente querido assassinado, são cada vez mais comuns em rodas de conversa.
A realidade é que a política de segurança pública precisa de ajustes, a começar pelo combate ao crime mais grave que se pode cometer: o homicídio. Nos oito primeiros meses do ano, o governo só conseguiu bater a meta em junho, quando foram registrados 266 assassinatos (o objetivo era 272). Agosto foi um mês desastroso: a meta era de 220 mortes violentas, mas o resultado ficou em 328. Mas os crimes contra o patrimônio também registram uma tendência perigosa. Em 2013 foram 52.661 mil. Em 2014, pulou para 63.392 mil. De janeiro a agosto deste ano, são 53.498, mais do que o ano de 2013.
Justamente neste ano, quando o Pacto pela Vida conseguiu seu melhor desempenho (ver arte acima), Eduardo Campos ainda governava o Estado em meio a uma relativa bonança nas áreas políticas e econômica. Azeitada, a máquina moeu como nunca. Naquele ano foi registrado o maio número de prisões (8.115, contra 6.917 de 2012 e 6.795 de 2011), o menor índice de homicídios: 3.102 em números absolutos (em 2007, primeiro ano do PPV, foram 4.591).
A partir de 2014, o quadro mudou. Em abril, Eduardo deixou o governo para se candidatar à Presidência da República, legando o cargo ao vice, João Lyra Neto. Já no início de maio, explodiu uma greve da Polícia Militar, que durou dois dias e mergulhou o Estado no caos. A morte de Eduardo – em um acidente aéreo na cidade de Santos, em São Paulo – em agosto, deixou sem o principal líder o bloco governista. Sem grandes aspirações políticas, João Lyra governou em marcha lenta. Só compareceu a uma das cerca de 36 reuniões semanais do PPV que aconteceram sob seu governo. “Eduardo ia todos os meses, cobrava e batia na mesa quando era preciso”, comenta um oficial da Polícia Militar que acompanhou alguns dos encontros. Paulo Câmara assumiu o governo em janeiro deste ano, já sob forte pressão para cumprir compromissos assumidos com as principais categorias da segurança pública ao longo dos oito anos de Eduardo/Lyra. Com o país varrido pela maior crise financeira de sua história recente, não teve como avançar, e ainda sofre os efeitos do movimento sindicalista que delegados e agentes da Polícia Civil deflagraram há dois meses, paralisando investigações e operações.
Para o sociólogo Julio Jacobo, a sensação de segurança é subjetiva e pode não estar necessariamente conectada com os índices reais de criminalidade. “Casos isolados e de repercussão podem ajudar a aumentar essa sensação de insegurança”. Ainda segundo Jacobo, para restabelecer a credibilidade, o governo precisa ser cada vez mais transparente na divulgação dos dados sobre a violência. “E não divulgá-los apenas quando são favoráveis”, diz. O secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, concorda que existe um que de subjetividade na sensação de segurança da população, mas admite que é preciso ajustes para que a população volte a se sentir segura. “Quando acontecem eventos como a greve da Polícia Militar de 2014 e o movimento dos policiais civis deste ano, leva tempo para reorganizar a máquina e recuperar os índices”. Ele explica que os 1.117 policiais militares lançados às ruas no final de agosto para estágio de 15 dias já ajudaram a população a ter uma outra percepção da segurança.

Do JC Online

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