Blog Rômulo Lima

Escritora lançará 'Claranã' em sua cidade natal, Bodocó, PE.
Cida usou métrica utilizada por cantadores e cordelistas do Sertão.
No sertão nordestino, a poesia cantada de improviso, os cordéis, as emboladas, os aboios e as cantorias de viola estão no dia a dia das pessoas. Seja na feira, nos bares, nos encontros com os amigos ou até dentro de casa, o poeta popular tira num repente versos, com métrica e rima, que deixam uma legião de corações encantados pelo caminho. Não importa se a plateia é formada por adultos ou crianças, o fascínio causado é o mesmo. Esses sons povoam, desde a infância, a vida da poeta Cida Pedrosa e agora eles afloraram em seu sétimo livro. Claranã será lançado no próximo dia 30 de outubro, às 19h, no Hotel Bodocó.
A obra marca uma nova fase na trajetória da escritora, que até então era conhecida por uma poesia de perfil urbano. O livro, nas palavras de Cida, “é uma viagem pela literatura de cordel e pelos gêneros mais tradicionais da cantoria”. Tecido devagar, de forma cuidadosa por quase cinco anos, ele traz uma coletânea de 40 poemas e faz homenagem à sua família, à sua terra e a grandes nomes da cultura popular, como Ésio Rafael, Jó Patriota, Lirinha e Lourival Batista. “Eu me embrenhei pelos sons da minha ancestralidade e me reencontrei com o Sertão que nunca saiu de mim”, diz Cida.
Nascida em Bodocó, sertão do Araripe, a poeta deixa claro o mergulho nas suas origens desde o título da obra, que leva o mesmo nome de uma pedra em cidade natal. “Claranã é uma palavra indígena e significa clarão, claridade. No litoral, as pessoas têm como linha do horizonte o mar. Em Bodocó, Claranã era a minha linha do horizonte. E, é isso que trago nesse livro”, explica a escritora.
Nessa imersão, Cida também muda um pouco o estilo de escrever. Antes adepta da poesia de versos livres, ela agora une sua sensibilidade à métrica e à rima para atender às normas próprias dos gêneros tradicionais, como a gemedeira, o galope à beira-mar, o coqueiro da Bahia, entre outros. Além das dificuldades que já representam tais estruturas, esse foi um desafio a mais superado pela autora, que é disléxica. “Precisava que esses sons ganhassem vida no papel. Para mim, foi uma nova experiência estética”.
Mas, não é só pela forma e pelo mergulho nas origens que Claranã chama a atenção. Dividido em seis partes, o livro possui um conteúdo bastante atual e navega pelas temáticas que sempre fizeram parte do universo da autora de As Filhas de Lilith (Caliban, 2009). “A poesia popular muitas vezes é machista e preconceituosa e eu tento quebrar essas amarras abordando temas que me são caros, como o amor nas suas diversas formas”, revela Cida.
Além do erotismo, os poemas falam sobre a morte, a solidão, o nada, a fome da carne e da alma, amores, a arte, o ofício de escrever, a fé e os personagens de Deus e do diabo que tanto são falados na cultura popular. O livro tem ainda prefácio do escritor e compositor Braulio Tavares e ilustrações de Marcelo Soares. “Assim como As filhas de Lilith foi um marco, acredito que Claranã será outro divisor de águas na minha poesia”, conclui.
Serviço
Lançamento do livro Claranã, de Cida Pedrosa
Editora: Confraria do Vento, 96 págs.
Local: Hotel Bodocó.
Quando: 30 de outubro, às 19h.
Quanto: R$ 30,00
Entrada franca

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