Blog Rômulo Lima

Manifestantes pedem a saída de Cunha e mudanças na economia.


 A concentração da manifestação contra o impeachment ocupou o vão livre do MASP - Marcos Alves / Agência O Globo
RIO, SÃO PAULO E BRASÍLIA — Centrais sindicais, entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e partidos como o PT e o PDT realizam ato na tarde desta quarta-feira em 18 estados e no Distrito Federal, segundo informações do site G1. São eles: Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

No Centro do Rio de Janeiro, os manifestantes contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, contra a política econômica do governo e contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) tiveram a Cinelândia como ponto de encontro.

— Esse é um ato contra o golpe e a favor da democracia. O que a Câmara está fazendo é rasgar a Constituição. Os que perderam a eleição estão querendo ganhar no grito — disse o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Rio, Marcelo Rodrigues. Para Rodrigues, a política econômica do governo Dilma precisa dar “uma guinada”.

— Não é esse projeto que ganhou a eleição — disse o presidente da CUT-RJ.

 Conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio, Carlos Henrique de Carvalho afirmou que está em curso um golpe branco.

— Não há motivo para tramitação de processo de impeachment. A OAB vai estar na rua para evitar um golpe branco, paraguaio — afirmou ele, em seu discurso.

O deputado estadual Carlos Minc (PT) disse que seu partido cometeu erros, mas que não há motivo para impeachment:

— Nós cometemos erros, mas é sempre tempo de corrigir, de afastar quem pisou na bola.

Os manifestantes gritavam "1, 2, 3, 4, 5, mil, queremos que o Cunha vá para *$#".

Também há espaço para bom humor na Cinelândia, como no cartaz "Golpe, só de ar".

‘AQUI ESTÁ O POVO’, EM SÃO PAULO
Em São Paulo, o protesto contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff é formado na maioria por militantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Com o mote “Não vai ter golpe”, os manifestantes que ocupam as duas vias da Avenida Paulista usam, na maioria, camisetas vermelhas e coletes da central sindical.

O cozinheiro Ediel Brito, de 49 anos, carregava uma grande bandeira com as cores do movimento LGBT na Paulista.

— Estou aqui para manifestar apoio à nossa presidente e pedir fora Cunha. A postura autoritária do Cunha é uma ameaça para nós do movimento LGBT.

Dezenas de ônibus foram usados para levar as pessoas à região do Masp, onde aconteceu a concentração. Os manifestantes pedem também a saída de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara e mudanças da política econômica do governo federal.

— É um ato de apoio à presidente Dilma e um ato crítico a sua política econômica — disse Vagner Freitas, presidente da CUT.

O PT trouxe militantes de ônibus de cidades do interior do estado para o protesto. A deputada estadual Marcia Lia revelou que vieram veículos de Araraquara, Franca e Ribeirão Preto.

— Aqui está o povo. Domingo era só coxinha — disse Paulo Landim, de 56 anos, que veio de Araraquara.

Em Brasília, manifestantes contrários ao impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e ao ajuste fiscal do governo estão reunidos em frente ao estádio Mané Garrincha. Integrantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), disseram que a ideia inicial era caminhar até o Congresso Nacional a partir das 19h, onde o ato deveria terminar. Entretanto, organizadores em um carro de som afirmaram que a manifestação deve se dirigir ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde os ministros definem neste momento o rito do impeachment. A concentração ainda não tem muitos manifestantes presentes.

Membro da direção nacional da CUT, Roberto Miguel disse que o que une todas as organizações presentes é a luta contra o impeachment e a posição contrária ao ajuste fiscal comandado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

— Queremos que a Dilma tome posse, porque pra nós ela ainda não assumiu o segundo mandato — disse Miguel.

— Nosso ato não está vinculado ao ato deles (da oposição), é em favor da democracia, contra o impeachment e contra o ajuste fiscal. É o que une a todos aqui presentes — completou.

Muitos manifestantes carregam cartazes onde se lê “não vai ter golpe”. Um carro de som estacionado no local exibe faixas criticando o ajuste fiscal e com os dizeres “Fora, Cunha”.

Parlamentares do PT e PCdoB subiram no carro para criticar os atos da oposição e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) afirmou que o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) quer assumir o lugar de Dilma numa “puxada de tapete” e chamou o programa Ponte para o Futuro, elaborado pelo PMDB, de “túnel para o passado”:

— Essa é uma manifestação nacional, ao contrário da manifestação da direita, que se concentrou em São Paulo e que foi um fracasso. É um ato da elite que não mobilizou o povo, porque o povo está percebendo que tirar a Dilma é colocar um homem que diz que é a ponte para o futuro, mas é um túnel para o passado. Essa é a plataforma do atraso, (de quem) não passou por uma eleição e quer, numa puxada de tapete, dar um golpe.

Fernanda Krakovics, Sérgio Roxo e Letícia Fernandes
O Globo

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