Blog Rômulo Lima


Não chegamos a usar um saco como maleta ou um nó como cadeado, mas foi com a coragem e a cara que fizemos o caminho oposto ao descrito na famosa canção de Gonzaga e chegamos até o município pernambucano de Bodocó, na região do sertão do Araripe, 640 quilômetros do Recife. Foi lá onde encontramos a escritora Cida Pedrosa e gravamos esta entrevista a respeito do livro Claranã, publicado recentemente pela editora Confraria do Vento.

Na conversa, Cida explica como se deu a estruturação do livro, comenta a experiência de escrever sob a rigidez das métricas da poesia popular e fala sobre a responsabilidade da criação literária a partir de motes de poetas consagrados.

Eu gloso alguns motes que estão na história da cantoria. Há um de Antônio de Catarina que diz: “Na frieza da gruta o Deus menino / teve o bafo de um boi por cobertor”. Isso por si só é um poema pra toda vida. Job Patriota glosou isso. Nosso grande cantador vivo, Ivanildo Vilanova glosou isso. É uma tarefa dificílima pegar um mote conhecido e fazer uma glosa boa.

Eu refiz três vezes, porque tinham que ficar à altura. Só me contentei quando saíram dois versos que fecham o mote: “Nesta noite veio ao mundo o amor / como anjo sem asa e sem destino / na frieza da gruta o Deus menino / teve o bafo de um boi por cobertor”. Só fiquei satisfeita quando veio esse, porque acho que consegui fazer uma imagem poética à altura do mote de Antônio de Catarina. Isso não é simples.

Fonte: Café Colombo

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