Blog Rômulo Lima

Empresário do cantor, que adquiriu o veículo, quer dar entrada no seguro.
Range Rover foi cedida para dar 'mais segurança' ao artista, diz advogada.
A defesa de um empresário do cantor Cristiano Araújo entrou na Justiça para reaver a carcaça do carro em que o artista estava quando morreu, em junho deste ano, na BR-153, em Goiás. Segundo informou ao G1 a advogada Marly Marçal, o seu cliente, que não teve o nome revelado, é dono de um estabelecimento comercial, ao qual a Range Rover está vinculada. O pedido foi feito para dar entrada no dinheiro do seguro.
Após comprar o veículo, o empresário o cedeu ao sertanejo alegando que ele precisava de um automóvel mais seguro para ir e voltar de shows no estado. O carro está no nome da loja, situada no Setor Campinas, em Goiânia.
"O carro que o Cristiano usava era meio velho. Cerca de dois meses antes do acidente, preocupado justamente com a segurança dele, o empresário comprou o carro e repassou para que o cantor usasse nas viagens. O dono mesmo deve ter usado umas duas vezes", disse Marly ao G1.
O acidente ocorreu no dia 24 de junho, às 3h30, em Morrinhos, quando voltava de um show em Itumbiara, no sul do estado. Além de Cristiano, de 29 anos, a namorada dele, Allana Moraes, de 19 anos, também morreu. Os outros dois ocupantes, o motorista, Ronaldo Miranda, e o empresário Vitor Leonardo, se feriram e foram levados ao hospital, mas tiveram alta dias depois.
A advogada explicou que chegou a procurar a delegacia para retomar o veículo, mas como o inquérito já havia sido concluído, ela teve que acionar o Poder Judiciário.
"O carro fica apreendido para averiguação durante o período em que o inquérito está em curso, pois precisa ser periciado. Quando acaba esse procedimento, a gente tenta reaver para poder receber o seguro", explica.
Trâmite na Justiça
O pedido está atrelado ao processo em que Ronaldo foi denunciado por homicídio culposo - onde não há a intenção de matar. Porém, a defensora crê que a decisão sobre a liberação do carro possa sair antes.
O caso corre na 2ª Vara Cível de Morrinhos e será analisado pelo juiz Diego Custódio Borges. O G1 entrou em contato com o gabinete do magistrado e a secretária informou que ele não poderia atender, pois estava participando de um mutirão previdenciário. Porém, a servidora adiantou que ele ainda não leu os autos.
Também procurado, o delegado que conduziu a investigação, Fabiano Jacomelis, afirmou ao G1 que sabia a quem o veículo pertencia. "Isso não muda nada nos resultados da investigação que já foi feita", salientou.
Ao G1, a advogada Amelina Moraes do Prado, representante da família de Cristiano, informou que não tinha informações sobre o processo e que por isso não poderia comentar o assunto.
Alta velocidade
Dados recolhidos da “caixa preta” da Range Rover do cantor mostram que o motorista estava a 179km/h cinco segundos antes do acidente. “A imprudência foi extraordinária. O veículo era muito seguro e o dano foi muito grande. Se for excluir outras hipóteses, aquele veículo em velocidade regular poderia estourar o pneu e nem sairia da pista”, afirmou.
Acidente e investigação
O acidente que matou Cristiano Araújo e a namorada ocorreu por volta das 3h10. O condutor perdeu o controle do veículo 21 minutos após fazer uma parada em um posto de combustíveis, a cerca de 57 km do local do capotamento.
No inquérito que indiciou Ronaldo, há o depoimento de dez pessoas, pareceres técnicos elaborados pela concessionária da rodovia e da empresa do veiculo. Também foram considerados laudos de exame cadavérico, de local de acidente e complementares do Instituto de Criminalística de Goiás.
De acordo com a perícia realizada no ponto em que o carro saiu da pista, a via estava em boas condições. Por isso, segundo o perito criminal José Luiz Macedo, não havia fator na rodovia que pudesse contribuir para o capotamento.
Segundo o delegado Fabiano Henrique Jacomelis, responsável pela investigação policial, Ronaldo chorou ao prestar depoimento. O condutor negou ter feito o consumo de bebidas alcoólicas, o que foi comprovado em uma análise, e que estivesse falando ao celular ou dormido ao volante. Porém, Ronaldo confessou que seguia acima da velocidade permitida na via, que é de 110 km/h.
O delegado disse, ao concluir o inquérito, que o motorista  foi negligente e imprudente: "Houve o crime de trânsito, ele agiu com negligência no momento que transitou com as rodas não originais, com danos, e imprudente por dirigir em excesso de velocidade". Contudo, ele avaliou que, apesar de saber dos riscos, o motorista não teve a intenção de matar o casal.
Sílvio Túlio 
Do G1 GO

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