Blog Rômulo Lima

Juazeiro do Norte. Há pouco menos de um ano, morria um dos principais personagens da cultura popular do Cariri. Seu Lunga, imortalizado em 78 títulos de cordéis, os quais retratam seus causos e curiosidades, trabalhou os últimos anos de sua vida em uma Sucata, localizada na rua Santa Luzia, área central deste município. O local passou a ser “parada quase obrigatória” de turistas que ensejavam uma foto com o poeta.
O local de bastante representatividade para a cultura popular juazeirense já não mais existe. Aonde Lunga “passava o dia todo sentado, observando o trânsito e assistindo sua pequena TV, uma semp toshiba de 10 polegadas”, conforme detalhou a comerciante Cicera Lucena Arraes, dará lugar a um estacionamento para carros e motocicletas. A demolição do prédio foi questionada e bastante lamentada nas redes sociais.

O arquivista Roberto dos Santos Júnior, criador da página “Cariri das Antigas”, pondera que “as políticas patrimoniais estão em profundo atraso, ao ponto de prédios importantes estarem sendo derrubados ao monte para construção de pontos comerciais”. 

Ele lembra, também, da casa do ex-prefeito e médico Mozart Cardoso de Alencar, que fora destruída para a mesma finalidade. Mozart foi vereador por dois mandatos, prefeito de Juazeiro em 1973 e médico particular de Padre Cícero, acompanhando o sacerdote nos seus últimos dias de vida.

Lunga, o eterno poeta do Cariri 
A postagem das fotos nas redes sociais já conta com centenas de curtidas e vários comentários, a maioria, de reprovação. Joanilton Rodrigues diz que a construção do estacionamento “É a história dando lugar aos carros e ao lucro”. Já a universitária Michele Santos questiona, “Por que não fizeram um museu?”.

Apesar das críticas, a demolição não configura-se crime. A Superintendência do Iphan no Ceará foi criada em 2009 com a missão de promover e coordenar o processo de preservação do Patrimônio Cultural no Estado para fortalecer identidades, garantir o direito à memória e contribuir para o desenvolvimento sócio-econômico do país. No entanto, o prédio em questão não possuía qualquer tombamento pelo órgão, o que possibilita, por exemplo, sua demolição.

Fonte: Diário do Nordeste

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