Blog Rômulo Lima

Em Pernambuco, bebês com suspeita de microcefalia vão para Recife. 
São Paulo e Rio Grande do Sul recebem crianças para vários tratamentos.
Em todo o estado de Pernambuco, crianças com suspeita de microcefalia vão para Recife para fazer exames e começar o tratamento necessário. A família de Layla, de 23 dias, mora em Ouricuri, a 600 quilômetros da capital, e viajou por 11 horas para conseguir o diagnóstico da menina. A mãe teve sintomas de zika vírus no primeiro trimestre da gestação e ela nasceu com microcefalia. 

Este ano já nasceram 2.782 crianças com suspeita de microcefalia no Brasil. Os 134 casos já confirmados foram causados pelo zika vírus, transmitido pelo mosquito da dengue. Só em Pernambuco são mais de mil crianças com suspeita de microcefalia. Para contornar a seca, que castiga o sertão, é comum armazenar água em casa. Assim, o mosquito se desenvolve com facilidade. 
A prefeitura de Ouricuri afirma que o combate ao Aedes Aegypti foi prejudicado no meio do ano pela falta de um larvicida. O Ministério da Saúde diz que mandou mais de 114 toneladas de larvicida para todo o país e que a quantidade corresponde à demanda de todos os estados. 

Este ano, o Hospital Infantil Santo Antonio, no Rio Grande do Sul, já fez mais de 220 cirurgias em crianças de fora do estado. Este é um dos oito hospitais mais procurados do Brasil por realizar cirurgias cardíacas em bebês com menos de um ano. 
O diretor médico do hospital, Fernando Lucchese, diz que milhares de crianças não conseguem nem chegar à mesa de cirurgia. “Nascem 26 mil crianças com cardiopatia por ano, 13 mil precisam de cirurgia. Nós nunca conseguimos chegar a 13 mil”. Segundo o médico, o repasse feito pelo SUS não é suficiente para cobrir os gastos com o atendimento das crianças. 

O secretário nacional de Atenção à Saúde discorda que os valores pagos pelo SUS estejam defasados e diz que a solução vai muito além da questão financeira. “Não basta apenas colocar recursos adicionais. É preciso trabalhar para estruturar serviços e descentralizar os serviços e acabar com a romaria de crianças que saem do Norte e do Nordeste e têm que ir a Porto Alegre ou Curitiba. É importante nós implantarmos a concepção do Sistema Único de Saúde, que é a descentralização do serviço”, afirma Alberto Beltrame. 

Em São Paulo, pacientes viajam todos os dias do interior e do litoral para buscar atendimento médico e tratamento na capital. 

Há dois anos e meio, Lisley Domingos conseguiu na Justiça o acesso a uma fisioterapia especial para quem tem problemas neurológicos. Ela e o filho de oito anos, que tem paralisia cerebral, viajam de São Vicente, no litoral sul de São Paulo, para a capital várias vezes por semana. O transporte oferecido pela prefeitura não atende as necessidades da família e todo o trajeto é feito de ônibus e metrô. 
Também em São Paulo, uma casa de apoio às crianças com câncer recebe famílias de todo o Brasil, que chegam buscando abrigo enquanto os filhos estão em tratamento. Saulo e Bruno se conheceram nessa casa e hoje são melhores amigos. Saulo tem uma síndrome rara e espera por múltiplos transplantes. Bruno tem um linfoma e faz quimioterapia uma vez por semana.

Fonte: Profissão Repórter

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