Blog Rômulo Lima

Se você é dessas que ainda não casaram e alimentam a esperança de encontrar um noivo bom, rico e bonito, eu lhe pergunto: por que você, hoje, não está em Bodocó? Agora não dá mais tempo de chegar na cidade do Sertão do Araripe a tempo de pegar no pau de São José. E nesse caso, sinto muito, só no próximo ano.

Mas, não esqueça, anote na sua agenda: nove de março é dia de moças que querem casar estarem em Bodocó. Convém informar: a cidade praticamente dobra a população de mulheres neste dia. De todos os tipos: altas, baixas, louras, morenas, magrinhas, gordas...
Todas, absolutamente todas, fazem uma espécie de peregrinação superdivertida à cidade com o intuito de pegar no pau da bandeira do santo.

Convém explicar, para a conversa não ficar atropelada. São José é o padroeiro de Bodocó. O santo mais sertanejo de todos, pois atribui-se a ele a façanha de fazer chover no semiárido.

Mas, sabe-se lá quem inventou essa história, ele também consegue fazer o milagre de conseguir casamento para moças desenganadas. É igual a Santo Antônio.

E o dia da promessa é exatamente hoje, nove, quando hasteia-se a bandeira do Divino. É uma tradição que arrasta multidões. São José é popularíssimo naquele Sertão.

Essa multidão é formada por velhos sertanejos que pedem para ele derramar água sobre as plantações. E por belas moças que imploram por um esposo.

Existe uma família de Bodocó, a família Puluca, que tem a promessa de anualmente fornecer o pau da bandeira. A família mora na zona rural, numa fazenda localizada a uns três quilômetros da sede.

A cidade vai em peso a esta fazenda, no final da tarde do dia nove, buscar “o pau de São José”. A buscada é uma festa grandiosa. O pau, que na verdade são vários troncos de árvore colados a parafusos, é trazido numa animada procissão.

Nesse momento, o sagrado e o profano se misturam. Os sentimentos se misturam. Enquanto não chega na cidade, somente os homens sustentam nos ombros o pau do santo. Que, aliás, é pesadíssimo, imenso.

Por todo o trajeto, fogos de artifício. Bandas de pífanos, filarmônicas, mulheres cantando hinos de igreja, acompanham o trajeto. São centenas de cavaleiros montados, filas de motos, outras de carros. Bandeirolas marrom e amarelas são vistas ao longo do cortejo. São as cores de São José.

É uma festa que reúne idosos, crianças, jovens, religiosos, o mundo inteiro daquela região do Araripe. Quando a procissão chega na entrada da cidade os homens entregam o pau às mulheres.

Sim, agora é a vez delas. E todas querem pegar no Pau de São José. Aquela que não pegar no pau não se casa. São milhares que vêm das cidades vizinhas somente para pegar no pau. E a procissão percorre algumas ruas. Ninguém reclama de peso.

A família Bezerra Alves mantém a tradição de fornecer a bandeira. Lisléa Alves (dona Léa, minha querida madrinha) manda confeccionar uma nova, a cada ano (a deste ano é a que ilustra este texto),com novos e artísticos bordados. É mais ou menos do tamanho dos estandartes das agremiações carnavalescas do Recife.

Quando a procissão chega à igreja matriz de São José, a bandeira é colocada no extremo do pau e ela é erguida no mais alto da fé. Sob aplausos, sob emoção, sob alegria. E uma chuva, senão de água, fogos de artifícios.

O padre celebra a missa. Amanhã, dia dez, começa o novenário. Sinceramente, não sei se São José faz chover ou se ele arranja marido para moças solteiras. Mas, olhem o meu tamanho. Quem sou para dizer que sim ou que não? 

Por Cícero Belmar

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