Blog Rômulo Lima

PF deflagra Operação e diz que campanhas de Eduardo teriam se valido de caixa 2 de esquema criminoso. 
A Polícia Federal deflagrou, ontem, a Operação Turbulência, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro que teria servido como caixa dois para a reeleição do ex-governador Eduardo Campos (PSB) em 2010 e, também, para a campanha do socialista - e da sua vice, Marina Silva - à Presidência da República, em 2014. Uma organização criminosa envolvendo 18 empresas movimentaram cerca de R$ 600 milhões entre 2010 e 2014. A maioria tem sede em Per­nambuco, sendo apenas uma de Goiás - a West Pneus. O montante seria alimentado por recursos ilícitos de diversas origens transferidos entre empresas de fachada e laranjas, com o objetivo de afastar suspeitas so­bre os valores repassados.

As investigações começaram a ser desmembradas através das suspeitas em torno do ver­dadeiro dono do Cessna Citation 560 que transportou o ex-governador Eduardo Campos durante a campanha presidencial de 2014 e que provocou sua morte.

Por meio das investigações, a PF descobriu operações suspeitas na conta de empresas envolvidas na aquisição da aeronave, e cuja as atividades não correspondiam as suas respectivas capacidades financeiras. Teriam sido utilizadas na aquisição do avião a Câmara e Vasconcelos - Locação e Terraplanagem LTDA (que pertenceria ao empresário Paulo de César Barros Morato), a Geovane Pescados (do pescador Geovane de Sá Barreto) e a CRM Material de Construção (do empresário Car­los Roberto de Macedo, que também não teria sido localizado).

Lava Jato 
A investigação da Operação Turbulência teve informações compartilhadas com apurações da Operação Lava Jato e inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Os processos envolvem o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), o deputado federal Arthur de Lira (PP-AL) e o senador Benedito de Lira (PP-AL). O parlamentar pernambucano é alvo de inquérito no STF por suspeita de pedir propina de R$ 20 milhões para a campanha de reeleição do então governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB).

Também há suspeita de envolvimento do esquema de lavagem de dinheiro com irregularidades na Transposição do Rio São Francisco. Uma das empresas de fachada teria recebido R$ 18,8 milhões da empreiteira OAS por suposta locação e terraplanagem nas obras da transposição. O montante poderia, segundo investigações, ter servido para aquisição da aeronave e, também, para sanar despesas e dívidas de campanha.

Mandados 
Ao todo, fo­ram cumpridos 33 mandados de busca e apreensão, 24 mandados de condução coercitiva e expedidos cinco mandados de prisão preventiva, sendo o pedido de pri­­são do empresário Pau­lo de César Barros Morato o único que não foi cumprido. Ele é considerado foragido. Morato é, também, suspeito de comandar a empresa Câmara e Vasconcelos, a que teria movimentado mais recursos no esquema. As ações foram deflagradas no Recife, Paulista, Vitória de Santo Antão, Jaboatão dos Guararapes, Moreno e Lagoa de Itaenga, em Pernambuco, além de Goiana e Aparecida de Goiana, em Goiás. Além disso, foram apreendidas embarcações, três aeronaves, sendo dois helicópteros e um avião (avaliados em R$ 9 milhões) e US$ 10 mil em espécie. Entre os detidos estão os empresários João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho, Eduardo Freire Bezerra Leite, Ar­-thur Roberto Lapa Rosal e Apolo Santana Vieira.

Os empresários Lyra e Leite foram presos ao desembarcar de voo em São Paulo. Eles foram acompanhados por agentes da PF durante todo o trajeto e somente tiveram voz de prisão quando chegaram à capital paulista. Eles foram trazidos para a sede da Polícia Federal em Pernambuco pela manhã. Já Apo­lo foi preso por três policiais em uma academia em um bairro da Zona Sul.

Fonte: Folha de PE

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