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7ª CIRETRAN em Ouricuri, o retrato do abandono

É ocular o abandono no prédio da 7ª CIRETRAN em Ouricuri, no Sertão do Araripe. Há muito tempo que a sede não recebe se quer uma pequena reforma, a estrutura está comprometida e pelo que se sabem bastidores é que não existe previsão ainda previsão de contornar a situação.
Na última sexta-feira (27), O blog esteve visitando a parte externa do prédio e através de fotos iremos repassar para os leitores a verdadeira situação em que se encontra o órgão em Ouricuri.
Logo na chegada, nos deparamos com a antiga entrada interditada e amarrada com cordas, a entrada que antes era apenas para os funcionários entrarem com seus veículos, hoje é a porta de entrada para todos os usuários, sem falar que as paredes da murada estão todas salinizadas (caindo o reboco) e o matagal impera no pátio do órgão.
Também impera no local a falta de organização, vários veículos apreendidos no local encontram-se exposto na frente do prédio do órgão. Será que o órgão não dispõe de verba para manutenção do prédio? A coordenadora do órgão na cidade já passou o problema para a coordenação estadual? Será que vão esperar o prédio vir ao chão para se pensar em uma solução?
O blog deixa o espaço democraticamente aberto para a coordenação da 7ª CIRETRAN de Ouricuri.
Informações: Cariri Filho

UPE divulga primeira lista de remanejados no seriado e vestibular 2015

Candidatos aprovados devem efetivar a matrícula na próxima quinta-feira.
A Universidade de Pernambuco (UPE) divulgou na tarde desta segunda-feira a primeira lista de estudantes remanejados no vestibular 2015 e seriado, para 1ª e 2ª entradas. Segundo a instituição, foram remanejados 1041 candidatos no vestibular. Desses, 147 são internos - já haviam sido aprovados, mas solicitaram mudanças de turno. Já no Sistema Seriado, 701 candidatos conseguiram vaga. Desses, 60 são internos e os outros 641 são externos.
Os feras remanejados para primeira entrada deverão realizar suas matrículas no dia 05/03/15. Os candidatos que não efetivarem suas matrículas no dia determinado serão eliminados automaticamente. A segunda lista de remanejamento será divulgada no dia 13/03/15.
LOCAIS DE MATRÍCULA - Os candidatos devem se dirigir aos locais determinados no Edital. Para os candidatos aprovados para os campi Benfica, Camaragibe e Santo Amaro, as matrículas serão realizadas, no horário das 8h às 13h, no Pátio de Convivência da Reitoria da UPE, situado na Rua Tupinambás, s/n, Santo Amaro (Rua ao lado da entrada principal da Reitoria).
Os candidatos classificados nos cursos oferecidos no Interior deverão se dirigir às unidades correspondentes aos cursos ao qual se inscreveram.
Campus de Caruaru, Rodovia 104 - Km 62 – Nova Caruaru, Fone: (81) 3719-9444;
Campus Nazaré da Mata, Rua Amaro Maltez, 201 – Bairro Novo – Nazaré da Mata, Fone: (81) 3633-4615;
Campus Garanhuns, Rua Capitão Pedro Rodrigues, 105 – São José – Garanhuns – Fone: (87) 3761-8210;
Campus Arcoverde, Rua Gumercindo Cavalcanti, s/n – São Cristovão – Arcoverde – Fone: (87) 3121-3220;
Campus Salgueiro, Av. Verimundo Soares, s/n, Km 511, BR 232 - Salgueiro, Fone: (87) 3871-8707;
Campus Petrolina, BR 203, Km 2 – Vila Eduardo - Petrolina, Fone: (87) 3866-6470;
Campus Palmares, BR 101, Km 117 – Campus Universitário - Palmares, Fone: (81) 3661-0625;
Campus Serra Talhada, Av. Afonso Magalhães, s/n – Nossa Senhora da Conceição – Serra Talhada, Fone: (87) 3831-2311.
O candidato deverá apresentar no ato da matrícula 2 (duas) fotos 3x4 atualizadas, e ainda, original e fotocópia ou, apenas, fotocópia autenticada dos seguintes documentos: carteira de identidade; CPF; certificado de conclusão do ensino médio com respectivo histórico escolar.
Para cotista, o histórico escolar deve comprovar que estudou os três anos do ensino médio e os anos finais do 6o ao 9o (antiga 5a a 8a serie) do ensino fundamental em escola pública estadual ou municipal; certidão de nascimento ou de casamento; título de eleitor e comprovante de votação. Para homens, prova de quitação do Serviço Militar, se maior de 18 (dezoito) anos.


 Do JC Online
Com informações da repórter Margarida Azevedo

Polícia prende estudante de Araripina suspeito de aplicar golpe de 8 milhões em três estados

Em coletiva à imprensa, o delegado César Camelo, presidente do Greco, e a delegada de repressão aos crimes tecnológicos,  Christiane Araujo Fonteles Vasconcelos, divulgaram detalhes da prisão do estudante de medicina Nomangh Arruda de Sousa, 24 anos, preso na região do Planalto Uruguai, zona leste de Teresina, na manhã desta segunda-feira (2), após cumprimento de mandado de prisão. O jovem é suspeito de participar de uma quadrilha especializada em furtar dados de clientes do programa de milhagem Multiplus. O prejuízo estimado é de R$ 8 milhões.
Camelo explicou que além do Piauí, o bando estaria dando golpes em Minas Gerais e Pernambuco. Nomangh é natural de Araripina (PE) e está cursando o 6º período de medicina em uma faculdade particular de Teresina. Na casa dele foram apreendidos celulares, computadores e pen drives.
A denúncia teria partido da própria empresa Multiplus em fevereiro. As investigações revelaram que o estudante estaria praticando o golpe há mais de dois anos. O delegado acredita que o estudante teria arrecadado cerca de R$ 60 mil por ao ano.
A delegada Christiane Araujo Fonteles Vasconcelos informou que o suspeito estaria comprando pacotes de milhas roubados e emitindo passagem para clientes dele. “Isso envolve pessoas físicas, agências de turismo e gente com quem ele tinha relação pessoal", acrescenta.
Os peritos do Greco já estão analisando o computador e identificando os clientes beneficiados pelo esquema. Na sexta-feira (27), a operação prendeu uma pessoa de uma agência de turismo em Minas Gerais. Nesta segunda, a ação foi deflagrada também em Pernambuco. Nomangh deve ser autuado em flagrante pelo crime de furto mediante fraude.
Fonte: Cidade verde
Wilson Filho/CidadeVerde.com

Ação da Codevasf irá aumentar eficiência de sistemas de abastecimento no sertão de Pernambuco

Novas ações executadas pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) irão facilitar e otimizar o acesso à água para 13,8 mil moradores das comunidades rurais de Nova Descoberta, Assentamento Mansueto de Lavor e Cristália, todos na zona rural de Petrolina, sertão pernambucano. Num investimento de R$ 136 mil, a 3ª Superintendência Regional da Companhia irá promover a automação dos sistemas de abastecimento de água que vêm sendo implantados nessas comunidades.
As obras de abastecimento de Nova Descoberta e do Assentamento Mansueto de Lavor contemplam cerca de 1,4 mil famílias mediante um investimento total de R$ 3,3 milhões da Codevasf, recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Já o sistema Cristália integra 29 comunidades rurais em Petrolina; ele foi concluído em 2012 e beneficia em torno de 1 mil famílias, que já recebem água nas torneiras.
Segundo o gerente de revitalização de bacias hidrográficas da Codevasf em Pernambuco, Elijalma Augusto Beserra, a automação é importante e necessária para a otimização do sistema. O gerente frisa que essa também é uma das exigências da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) para passar a administrar os sistemas.
“Essas intervenções servirão para tornar a operação desses sistemas mais eficiente, além de diminuir custos também com a manutenção. Outro benefício é que a automação atende à Compesa, que passará administrar o serviço”, frisou Elijalma.
As obras de automação dos sistemas Cristália e Nova Descoberta, incluindo o Assentamento Mansueto de Lavor, deverão ser executadas em 120 dias. Elijalma informou que a empresa vencedora da licitação já iniciou a montagem dos canteiros de obras.
Os sistemas
Os sistemas de abastecimento d’água de Nova Descoberta e do Assentamento Mansueto de Lavor consistem na implantação de uma adutora com extensão de quatro quilômetros, mais sete quilômetros de rede de distribuição e construção da estação de tratamento, além da colocação de hidrômetros. A obra inclui também a construção da estação de tratamento, a religação das redes de distribuição e a execução dos testes do sistema. A previsão é que o sistema esteja concluído e levando água às torneiras da população ainda neste primeiro semestre de 2015.


Crédito: Frederico Celente / Codevasf

Agentes de endemias de Ouricuri realizam campanha para prevenir e combater criatórios de aedes aegypti

Nos últimos dias, o efetivo de agentes de endemias de Ouricuri foram mobilizados para iniciar a campanha de prevenção e combate ao mosquito aedes aegypti, mosquito causador da dengue e, recentemente da chamada febre chicungunya – doença diagnosticada em milhares de brasileiros no fim do ano passado, principalmente em municípios dos estados da Bahia e Amapá.
A ação foi realizada nesta sexta-feira, 27, nos bairros Capela de São Braz e Cohab, locais em que foram entregues panfletos informativos à população orientando os moradores a eliminar possíveis criadouros do mosquito da dengue e tomar as devidas precauções.
Além da orientação dada às pessoas, os agentes de endemias recolheram objetos jogados na rua que pudessem ser possíveis focos de criação do mosquito. A iniciativa é da Prefeitura Municipal de Ouricuri por meio da secretaria de Saúde e deve ser realizada em outros bairros da cidade, visto que estamos no período de maior desenvolvimento do mosquito.
Febre chikungunya
De acordo com dados do Ministério da Saúde a febre Chikungunya é uma doença causada por vírus do gênero Alphavirus, transmitida por mosquitos do gênero Aedes, sendo o Aedes Aegypti (transmissor da dengue) e o Aedes Albopictus os principais vetores.A
Os sintomas da doença são febre alta, dor muscular e nas articulações, cefaleia e exantema e costumam durar de três a 10 dias. A letalidade da Chikungunya, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), é rara, sendo menos frequente que nos casos de dengue.

Moradores do Sertão e do Agreste sem esperança de receber água da transposição

Após sucessivos atrasos, projeto que vai captar água do Rio São Francisco caiu em descrédito nas cidades em colapso no abastecimento.
O sofrimento fez secar a esperança. Massacrado por uma estiagem que já entra em seu quarto ano consecutivo, o morador do Sertão e do Agreste perdeu a fé de que a ajuda dos homens vai chegar. “Disseram que a água do São Francisco vem pra socorrer a gente. Mas quando? Quando todo mundo já tiver morrido de sede?” A descrença da dona de casa Maria das Graças Teixeira, 38 anos, traduz o sentimento que se abateu sobre quem está cansado de esperar.
Ela vive na zona rural de Jataúba, uma das oito cidades de Pernambuco que hoje dependem, exclusivamente, do abastecimento do carro-pipa para ter acesso à água. No Agreste, além de Jataúba, a reportagem visitou Pedra, Venturosa, Alagoinha e Poção. No Sertão, as cidades de Itapetim, Brejinho e Triunfo. Na viagem pelos caminhos secos do Estado, o que se viu foi a desesperança tomando conta da paisagem.
“Eu nunca vivi uma época tão difícil como essa. Até a jurema preta (planta da caatinga) morreu. Nunca imaginei ir embora daqui. E esse ano eu pensei em deixar minha terra”, diz Vicente de Paula, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itapetim. Em todas as cidades, os moradores dizem estar calejados de velhas promessas. Não é para menos. A obra hídrica apontada como a redenção para o homem do Nordeste, a transposição do Rio São Francisco, caminha a passos lentos. Tanto que, em algumas localidades, já ganhou o nome de “água-fantasma”.
“Acho que se um dia ela chegar por aqui, nem vou estar mais viva. É coisa para os meus netos e olhe lá”, diz a agricultora Gilberta Suzana da Silva, 42, moradora de Venturosa. “Está todo mundo desanimado. Sem esperança de que mandem essa água para cá. A tubulação ainda não chegou nem em São José do Egito”, endossa a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brejinho, Maria Solange Pereira Teles.
Para quem tem urgência em matar a sede as notícias são pouco animadoras. Na semana passada, cerca de 2,5 mil trabalhadores foram demitidos na frente de trabalho da transposição localizada em Salgueiro, no Sertão. O ritmo está desacelerando devido à dificuldade de caixa do governo federal, responsável pela obra, e também porque algumas empresas, contratadas para execução dos serviços, estariam com dificuldades no seu fluxo financeiro após as acusações de participação no esquema de corrupção da Petrobras.
A transposição consiste na construção de dois grandes canais: o Eixo Norte e o Eixo Leste, que vão levar a água do Velho Chico para os Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. De acordo com o Ministério da Integração Nacional, as obras físicas do projeto apresentam 70,7% de execução. A previsão de conclusão é 2016.
Na semana passada, o presidente da Companhia Pernambucana de Abastecimento (Compesa), Roberto Tavares, esteve reunido em Brasília com equipes do governo federal para apresentar projetos hídricos que possam garantir o abastecimento das cidades em colapso antes mesmo da transposição entrar em operação. A estratégia da empresa é injetar água de várias fontes na Adutora do Agreste, que atenderá 68 cidades e receberá água do Eixo Leste da transposição.
“Já estamos perfurando 20 poços em Tupanatinga, outros cinco em Ibimirim, além da construção das barragens de Pedro Moura, em Belo Jardim, e de Serro Azul, em Palmares. Queremos antecipar também o início da operação da adutora no ponto que vai beneficiar Arcoverde e Pesqueira. Garantindo o abastecimento nessas duas cidades, o sistema ficará mais livre para atender os demais municípios”, explicou Roberto Tavares.
Apesar de reconhecer o estado de calamidade, sobretudo das cidades abastecidas apenas por carro-pipa, o presidente da Compesa afirmou que nos últimos oito anos foram investidos cerca de R$ 4 bilhões em obras hídricas, só pela estatal. “Se não fossem essas obras nossa situação estaria muito pior.”







Do JC Online

Moradores do Sertão e do Agreste vivem em guerra por água

Oito cidades do interior de Pernambuco dependem, exclusivamente, do abastecimento feito por carro-pipa.
Sem alvoroço, os baldes vão sendo enfileirados. Um atrás do outro num silêncio tão incômodo quanto enganador. Confusão já houve muita. Ainda há. Já teve caso de ser preciso chamar a polícia para apartar a briga. Mas no começo daquela manhã de quarta-feira, a fila está comportada. As pessoas mal se falam. Vão chegando e esperando. Encostam suas vasilhas numa coreografia quase robotizada. É hora da humilhação de todo dia.
De tentar juntar um resto de dignidade no balde vazio. Dessa vez, a caixa-d’água instalada na Rua Paulino Soares, em Itapetim, no Sertão do Estado, foi premiada. O moço do carro-pipa resolveu encher o reservatório todo. Coisa rara. Geralmente, abastecem só até a metade e vão embora. Talvez, por isso, o silêncio enganador. Naquele dia, de breve fartura, os baldes aguardavam pacientemente a sua vez.
Na Avenida Antônio Paes de Lira, no Alto da Boa Vista, município de Pedra, num Agreste tão seco e esturricado quanto o Sertão, não há calmaria. Nem aparente. Baldes nervosos, desesperados até, disputam instantes preciosos embaixo da torneira. Naquela manhã, completavam nove dias que a caixa-d’água instalada no meio da rua estava vazia.
Nem uma gota d’água. No dia anterior, a dona de casa Silene Clemente da Silva, 39 anos, havia gasto os únicos R$ 40 que tinha para comprar água para os quatro filhos. Deixou vazio o botijão de gás para matar a sede. “Agora vou fazer o que para cozinhar?”, perguntava-se, entre uma e outra lata d’água na cabeça. Silene vive num regime de exceção.
São mais de 100 mil pernambucanos que, iguais a ela, tiveram confiscado o direito a água encanada, pingando da torneira. Num Estado devastado pela seca, o Jornal do Commercio percorreu as oito cidades do Agreste e do Sertão que hoje dependem, exclusivamente, do carro-pipa para garantir a sobrevivência diária. No carimbo oficial, são os chamados “municípios em colapso”. Na vida real, uma nação em guerra por água.
Após três anos de estiagem, não é mais a vaca morta na estrada que impressiona. A maior parte do rebanho já havia sido dizimada em 2012, primeiro ano em que a chuva deixou de cair em Pernambuco. Lá atrás, o gado esquálido, abandonado para morrer à míngua, era uma imagem recorrente. E o homem do campo, com a colheita e os bichos perdidos, o mais sofredor. Agora é diferente.
Já entrando no quarto ano de seca prolongada, as barragens deixaram de alimentar as torneiras das casas e nivelaram sítio e cidade numa mesma desolação. Muitas secaram completamente. Outras, como a de Jucazinho, localizada em Surubim, e que abastece cidades do Agreste, estão em nível crítico. Sem espaço para armazenar água, os moradores da área urbana sofrem até mais. Madrugam com baldes nas mãos à espera de um pouco de alento. Espreitam a sorte de ter água para lavar a roupa, a casa, os pratos. Tomar banho nem que seja uma vez só.
No Agreste, a reportagem visitou as cidades de Pedra, Venturosa, Poção, Jataúba e Alagoinha. Pelos caminhos do Sertão, andou por Itapetim, Brejinho e Triunfo. Foram 1.500 quilômetros para testemunhar o desespero diário pela água. A seca fez a desigualdade ficar ainda mais desigual: quem ainda tem dinheiro para comprar água vai enfrentando como pode. E quem não tem? A aposentada Sebastiana Gorete da Silva, 61, moradora de Alagoinha, já deixou de comprar comida para garantir água para a família. “Tenho seis filhos, cinco netos, criança ainda de colo em casa. A gente tem que escolher. Diminuir a feira, para sobrar algum dinheiro e poder limpar a casa e tomar banho”, conta. Não se gasta pouco. Dependendo do município, um carro-pipa, com sete mil litros, chega a custar R$ 200. O botijão com mil litros, R$ 20.
A saída encontrada pelo governo para matar a sede da população foi espalhar caixas-d’água pelas ruas das cidades. Em todas elas, os reservatórios azuis são a única fonte de quem não tem como pagar pela água que consome. Quando as caixas são abastecidas, não se sabe ao certo dia ou hora, crianças, adultos e velhos disputam balde a balde um pouco de esperança para levar para casa. No município de Pedra, João Guilherme mal consegue ficar em pé.
Tem apenas 7 anos, mas já se incorporou ao exército sedento por água. Vai torto, balde para um lado, equilíbrio para o outro, carregando uma vasilha quase maior do que ele. A mãe, grávida de quatro meses, em nada pode ajudá-lo. O menino vai uma vez, vai outra. Consegue juntar pouco, mas é melhor do que nada. Em Itapetim, Maria do Socorro de Souza tem 75 anos e o corpo machucado pela vida. Vai carregar água escondida do filho. “Se ele souber que eu puxei esses baldes, reclama comigo. Mais tarde, vou ter que tomar remédio para dormir porque os ossos doem muito. Mas não tem outro jeito. Não tenho como comprar”, diz, resignada.
Quando a ajuda do governo não chega, o jeito é apelar para o céu. Na zona rural de Jataúba, Maria das Graças Teixeira, 38, tem uma cisterna no quintal. Mas o reservatório está praticamente vazio há um ano. A dona de casa, mãe de quatro filhos, correu atrás do Exército para conseguir um carro-pipa. Tentou uma vez, duas, três. Deixou pra lá. Vai se virando com o trocado do Bolsa Família. Mais sede do que vida. Ela nunca soube o que é água na torneira. “O que é isso? A gente aqui não tem direito a esses luxos, não, moça.” Sentada na cadeira de balanço, Maria das Graças espera por uma chuva que teima em não cair. “Tô esperando que Deus abra as portas do céu.”
Do Jornal do Commércio

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